“Temos dois tipos de pessoas que fazem previsões: aquelas que não
sabem e aquelas que não sabem que não sabem.”
John Galbraith
Caro Cliente,
Fevereiro foi curto em dias, mas não em eventos. Só nos dois primeiros meses de 2026, tivemos tensões na Venezuela, no México e agora no Irã. O tédio geopolítico que perdurou décadas após a queda do Muro de Berlim não existe mais. As consequências aparecem diretamente no preço do Dólar, do Ouro e, principalmente, do Petróleo. E por aqui, eleições ultra polarizadas. Nunca a diversificação inteligente foi tão importante para navegar bem os nossos portfólios. A nossa curadoria segue seu trabalho silencioso nessas horas. Estamos sempre atentos por aqui.
No plano fiscal, tivemos… adivinhem… sim, novos impostos! Dessa vez sobre importações de eletrônicos. Nada ouvimos sobre controle de gastos. Afinal, temos uma eleição pela frente e um governo que mantém distância da Ciência Econômica.
Nesse cenário, o fluxo de capital global segue indo para países emergentes. No Brasil, a Bolsa de Valores está perto das máximas históricas, à revelia dos resultados das nossas empresas, que não melhoraram. Ou seja, o Preço subiu, mas o Valor não se alterou de forma significativa. Preço é o que se paga; valor é quanto a coisa vale. Pode parecer sutil, mas é uma diferença importante. O mercado espera continuidade nesse movimento e isso reflete na moeda americana, que vinha enfraquecendo até o início da operação militar no Irã. Vimos gente muito boa falando de 4,90, 4,70 e, pasmem, 4,20. Mas cuidado, não queremos tentar prever o valor do Dólar, não é o nosso papel. Até Bancos Centrais ao redor do mundo estão buscando fugir da “segurança” dessa moeda forte como reserva, mas têm encontrado dificuldade: nenhuma opção é suficientemente confiável no longo prazo. Eles não pensam em seis meses. Seu horizonte é de décadas. E o ouro voltou a aparecer como alternativa.
Dito isso, nossa ideia de exposição global segue sendo majoritariamente via fundos domésticos com proteção cambial. O mecanismo é simples: obtemos a rentabilidade do fundo lá fora, somamos a diferença entre os juros das duas moedas (Real vs Dólar) e subtraímos as taxas. O CDI é um jogador difícil de bater, e nessa equação, ele estará ao nosso lado.
Nas posições locais, o mercado de renda fixa segue com spreads comprimidos — retornos baixos acima do CDI nos títulos de crédito privado. É um momento de cautela e seletividade, bom para fazer caixa e aguardar boas oportunidades. Estamos também ajustando as carteiras às exposições adequadas em cada classe de ativo, principalmente repondo posições em títulos atrelados à inflação (IPCA+), dado que o horizonte próximo aponta para um provável início do ciclo de queda de juros pelo Banco Central ainda em março. Inclusive, a gestora Kinea reforça esse raciocínio: após a alta recente da Bolsa, a expectativa de retorno nos títulos IPCA+ pode ter ficado mais eficiente do que a própria renda variável.
Timing e Retrovisor: Fundos Multimercado
“O mercado é uma máquina que transfere dinheiro dos impacientes para os pacientes.”
Warren Buffett
Quem gosta de cinema sabe que existe uma diferença clara entre a arte que é feita na América daquela que vem da Europa. No cinema americano, vemos personagens com características marcantes: bons ou ruins, heróis ou vilões. Já do outro lado do Atlântico, a vida contada nas telas é mais parecida com a vida real. O mesmo personagem é retratado com nuanças, como uma escala de cinza. Ele tem bons e maus momentos, e diferentes comportamentos nas diversas áreas da vida.
Os fundos multimercado funcionam da mesma forma. No tempo, ora são vistos como o super-herói que resolve a rentabilidade da carteira, ora como o vilão que estraga a festa. Entretando, a realidade é mais complexa: o desempenho depende mais da fase do que da classe em si. Fato é que no longo prazo, o papel desses fundos traz muito mais benefícios do que maldades para a composição das carteiras. O problema maior ocorre quando o investidor tenta fazer timing — escolher “o melhor momento” para entrar ou sair olhando pelo retrovisor, achando que o futuro próximo será uma replicação do passado recente. Não é. Esses fundos não são ativos isolados: são composições que podem mudar drasticamente de uma hora para outra, a depender do cenário e da interpretação do gestor.
De fato, estes fundos, principalmente os Macro, tiveram uma janela de desempenho ruim no passado recente, e vale entender o motivo para separar o que é ruído do que é sinal. Maior parte deles têm os Juros como um mercado relevante na atribuição de performance. Boa parte desses gestores opera juros em múltiplas geografias, que historicamente têm descorrelações que permitiam uma diversificação relevante com uma diminuição de risco. Entretanto, esse equilíbrio foi rompido a partir do último trimestre de 2022, quando os juros nos EUA subiram de próximo a zero para mais de 5%. E o mais grave: com uma comunicação truncada e malsucedida do FED (Banco Central americano).
Como os juros americanos são a taxa básica mais importante do globo (a taxa de desconto de todos os ativos) houve um desordenamento nos BCs de todo o planeta, bem como uma bagunça nas descorrelações desses movimentos. Já o início de 2025 foi marcado por uma “volta à normalidade” nessas relações e, coincidentemente ou não, o desempenho dos fundos multimercado acompanhou essa melhora. Você que acompanha sua carteira de perto já deve ter percebido: tivemos uma janela de 12 meses com bom desempenho novamente.
Esse episódio reforça um dos princípios mais importantes da nossa estratégia patrimonial: não há o investimento da hora. Fazer timing não traz bons resultados no longo prazo. Uma boa carteira precisa de diversificação, disciplina e paciência. É isso que fazemos para os nossos clientes.
Mudanças Tributárias: Hora de Proteger Patrimônio e Legado
Diante de todas as mudanças tributárias dos últimos anos, e das que ainda estão em curso, vivemos uma janela de oportunidade crucial para organizar proteção e sucessão patrimonial de forma estruturada, e ainda relativamente barata. O imposto sobre herança e a nova forma de precificar ativos (bens imóveis e cotas de empresas) serão pesados. Estruturar bem esse processo costuma ser muito mais significativo do que buscar alguns pontos percentuais a mais de rentabilidade. Com isso, você reduz atritos, evita decisões apressadas e pouco eficientes, e deixa o patrimônio pronto para atravessar transições (família, empresa, eventos inesperados) com governança.
Na prática, o caminho passa por um plano que une liquidez, regras bem definidas e eficiência tributária. Previdência privada e seguro de vida entram como ferramentas centrais de liquidez e velocidade (para custas, impostos, inventário, manutenção do padrão de vida, proteção da família e diminuição de custos sucessórios). Já a parte estrutural – que envolve o estudo do regime de casamento e seus impactos na sucessão, doações em vida, testamentos e, quando fizer sentido, estruturas internacionais (Offshore), Trust e organização patrimonial por objetivos – entram como proteção, segurança e governança.
Para quem tem empresas (PJs), o tema é ainda mais sensível: sucessão sem alinhamento entre sócios costuma virar conflito. Por isso, acordos de sócios, regras de entrada e saída, definição da metodologia de valuation, poderes de administração e mecanismos de liquidez precisam estar no mesmo pacote do planejamento familiar, para que a sucessão preserve tanto o patrimônio quanto a continuidade do negócio.
A janela existe, mas não vai esperar. Precisamos ser pragmáticos. Não se trata de “dar um jeito” quando o evento acontece. É sobre construir agora um Manual do Patrimônio com governança, proteção e liquidez desenhadas sob as novas regras, enquanto ainda existe espaço para escolher as melhores alternativas com clareza.
Conte com a Moinhos Investimentos para trilhar esse caminho.
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Comitê de Alocação
Moinhos Investimentos