O cenário eleitoral desenha um resultado apertado e as visões econômicas dos principais candidatos são antagônicas. Isso traz uma preocupação genuína quanto à composição das carteiras de investimentos. Entretanto, buscar o “investimento do momento” geralmente resulta em risco elevado, dada a natureza binária do evento. É incontestável que prever o ambiente macro com precisão e consistência é impossível. Colocar convicções e ideologia como fatores para a tomada de decisão tende a prejudicar a assertividade dos resultados. O investidor deve conhecer bem o inimigo que, neste caso, são os vieses comportamentais.
A Pedra Filosofal dos investimentos é uma carteira agnóstica e antifrágil. Nenhum portfólio chega a algum lugar se não souber para onde precisa ir; então, tudo começa com definições fundamentais: planejamento financeiro (onde quero chegar?), planejamento sucessório e tributário (qual a estrutura da renda e da família?) e perfil (quanto risco é admitido?). Os ativos são organizados de acordo com estas definições, dentro de veículos que respondam de forma mais eficiente do que o resultado eleitoral. O resultado dessas escolhas influencia mais do que a própria rentabilidade dos ativos, e a composição deles segue alguns princípios básicos.
A estruturação dos investimentos precisa de uma harmonia concedida pela diversificação. Um conceito muito falado, mas raramente usado corretamente. Implica em exposições a classes de ativos, indexadores e geografias diversas. Quando calculado corretamente dentro do contexto do portfólio, consegue protegê-lo das intempéries da política e da economia ao longo dos anos. Os ativos passam a exercer papéis complementares e não concorrentes. O tempo gasto deveria ser na busca por qualidade, isso vai muito além de avaliar a rentabilidade. É preciso conhecer os processos e as pessoas por trás dos resultados.
Observar possíveis conflitos de interesse também é fundamental: muitos recursos se esvaem em custos invisíveis. Já a busca pelo momento político ou econômico ideal comprovadamente não resulta em retornos maiores. Por fim, vigilância constante é necessária. Estar atento a possíveis alterações nos critérios que levaram à escolha dos ativos e às constantes mudanças tributárias pode fazer com que as estratégias precisem ser alteradas.
Aderson Gegler, Ph.D., é fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos.
Artigo publicado originalmente no Jornal do Comércio (19 de outubro de 2026) e no jornal A Hora (20 de outubro de 2026).


