Nesta carta: o que setembro ensinou, as decisões de curadoria do mês e um estudo sobre fundos multimercado frente ao CDI.
01 · FRASE DO DIA
“Ainda bem que a NASA não desistiu do poder intelectual antigo.”
Estrelas Além do Tempo — Hidden Figures, 2016
02 · O QUE O MÊS ENSINOU
Reflexão
Alguns pontos importantes sobre alocação devem ser destacados. O investidor não deve mudar o seu perfil com um resultado de eleição. A vitória do candidato mais fiscalista e reformista traz, sim, uma euforia. É natural, depois de tantos meses/anos de fiscal frouxo com monetário apertado, de gastos, de empresas e capital fugindo do país, aumento de tributos (não vou me estender, todos conhecem muito bem esse filme), termos uma certa euforia com esse resultado.
O day after foi simplesmente fantástico! Num único dia o mercado recuperou o ano todo de resultados ruins. Num único dia, com a queda do juro futuro, o resultado fez o país economizar R$ 66 bilhões ao ano em custo da dívida pública. Agora imagine o que uma reforma de verdade conseguirá fazer.
Medo e euforia andam lado a lado.
É nesse momento que a euforia toma conta. Entretanto, essa nova direção do mercado não é retilínea. Terá altos e baixos, como sempre, por que os problemas ainda existem e não foram endereçados.
03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
O que mudou
A notícia mais importante de setembro foi o resultado do primeiro turno das eleições de outubro! Sim, é uma brincadeira, mas com um fundo de verdade, já que, da mesma forma como em agosto, quando as pesquisas começaram a mostrar um segundo colocado mais próximo do primeiro, setembro seguiu essa linha, só que de forma mais intensa.
As pesquisas erram bastante o resultado final, mas o que elas capturam bem e é importante prestar atenção é a tendência. Por mais que errem o resultado final, elas mostraram bem a aproximação do candidato de direita. E o mercado pegou essa tendência também no seu desempenho no mês de setembro.
O que permanece
Passamos meses lidando com o medo e diminuindo risco das carteiras mais conservadoras, de clientes apreensivos, justamente por essa incerteza que estamos vivendo.
04 · DECISÕES DO MÊS
No mês anterior falamos brevemente sobre nosso trabalho silencioso no Comitê de Estratégia. Achamos que seria profícuo trazer à luz alguns números desse trabalho para que nossos clientes possam conhecer um pouco mais da profundidade e da extensão do que fazemos. Aproveitamos o ensejo também para convidar nossos clientes que queiram entender um pouco mais sobre o tema a participarem de uma reunião. Seguem alguns resultados do mês de setembro.
Resumo do mês
- 55 reuniões registradas no mês
- 20 reuniões ligadas à curadoria: 12 com gestoras, 7 internas do Comitê e 1 com plataforma
- 28 produtos com decisão registrada: 6 aprovados ou mantidos, 4 recusados, 1 retirado e 17 em observação
- 17 estudos identificados
Taxa de aprovação
Analisamos 28 produtos e aprovamos 6. Os outros 22 ou foram recusados ou seguem em observação, e deixar em observação também é uma forma de dizer “não”, ao menos por enquanto.
Critério comum aos três primeiros, declarado em reunião (10/09/2026)
“A gente recentemente pegou todos os produtos e filtrou para ver o que merecia nossa atenção… foi realmente ver se eles entregavam, depois de um ano de emissão, o que eles tinham na proposta. E aquilo que não entrega o que estava na proposta, a gente descartou. Então a gente nem foi para uma etapa qualitativa.”
Exemplo de caso. O produto não estava entregando o tipo de risco contratado. A conclusão foi direta: “a gente vê que daqui a pouco não é um tipo de risco que a gente quer correr”. A posição saiu da curadoria sem que tivesse tido sequer um evento de crédito, sem perda realizada e sem pressão externa, por desalinhamento entre o que o produto prometia e o que de fato era.
05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Realocar é uma ciência
Realocar é uma ciência, o objetivo é rebalancear o que mudou por quedas ou altas. Se você deve ter 10% em risco e essa classe valorizou, venda o excedente e realoque em ativos defensivos. Isso fará você sempre comprar na baixa e vender na alta.
Estudo do mês: fundos multimercado
No mês de setembro o Comitê também fez um trabalho extensivo sobre os Fundos Multimercado. Uma classe que vem tendo um desempenho aquém do prometido, mas que historicamente é conhecida por entregar uma rentabilidade forte com diversificação. São fundos que têm como objetivo retornos anuais de CDI+4% a CDI+8%.
Apresentamos aqui alguns dos principais resultados obtidos deste estudo com 14 fundos dos que são utilizados nas carteiras da nossa alocação entre 2013 e 2025. Oito tiveram resultado acima de CDI+4%aa e nenhum teve média de rentabilidade abaixo do CDI ao longo de sua existência. A carteira dos 14 fundos teve, mesmo com os últimos anos de resultados desafiadores, retorno maior que CDI+5%aa. Foram realizadas 82 leituras anuais dos seus resultados.

A relação dos resultados dos fundos com a dinâmica dos juros também foi analisada e, ao que se observa, o discurso de que a alta dos juros fez com que o resultado fosse ruim não se confirmou. Entretanto, a manutenção dos mesmos em altos patamares pode ser um fator de correlação com desempenhos mais baixos. O que não podemos afirmar é que há uma relação de causa e efeito entre eles.
Dessa forma, mesmo que tenhamos desempenhos aquém do que estes fundos propõem, seguimos enxergando valor na participação dos mesmos nas carteiras por entendermos que:
- Estes últimos resultados não são a média, mas sim uma possível cauda temporária na distribuição destes resultados.
- Historicamente os resultados entregam o que se propõem.
- A possível relação entre desempenho aquém e juro alto, caso verdadeira, está próxima ao fim (queda de juros).
- Classe traz uma diversificação importante.
- Classe aloca em mercados inacessíveis ao investidor pessoa física (commodities, juros internacionais, moedas globais, energia, etc.).
06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
Sabemos que os investidores agora buscarão mais risco. Entretanto, sempre é bom lembrar que seguimos com uma guerra importante em curso, com uma inflação que preocupa (combustíveis com preços artificialmente controlados), com uma tendência de juros globais para cima, apesar de para baixo no Brasil (atividade econômica cada vez mais fraca), famílias seguem endividadas e a inadimplência nas alturas, bancos segurando crédito e empresas segurando investimentos.
Enfim, ainda não vamos virar Suíça, assim, é melhor mantermos a guarda alta. Estamos aqui para buscar um equilíbrio para cada perfil entre a defesa e o ataque.
Cuidar é decidir.
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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.


