01 · FRASE DO DIA
“A única constante
é a mudança.”
— Heráclito
02 · O QUE O MÊS ENSINOU
Reflexão
Mudanças são a única certeza que temos. Seja na vida, na economia, na política ou onde for. Não é surpresa para ninguém, ainda mais vivendo no Brasil, que o cenário eleitoral está muito longe de estar definido. Por isso, nossas carteiras não serão ajustadas para um ou outro cenário. Não seria prudente, pois tudo pode mudar. Até porque o eleitor médio brasileiro de ambos os espectros vota por fé, afeto, com o estômago, e não com a razão.
Sobre recomendações, apesar de mudarmos pouco (graças às escolhas bem fundamentadas no início, e à nossa metodologia construída para atravessar crises), sabemos que eventualmente também precisamos mudar. Não é à toa que toda semana nos reunimos para analisar decisões e mudanças de cenário. A ausência de pagamento por comissão nos dá liberdade para sairmos de um produto e irmos para outro, sabendo que nossos clientes têm a certeza de que as alterações são no seu melhor interesse.
03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
O que mudou
Como havíamos escrito na carta anterior, os fundos de renda fixa crédito privado, depois das quedas de março e abril, passaram a carregar uma rentabilidade potencial alta. De fato, esse movimento começou em maio, quando estes fundos mostraram desempenho bem acima do CDI, buscando o carrego nas posições.
O que permanece
Já os investimentos de risco (juros e bolsa doméstica) continuaram no purgatório, dado que ao longo do mês continuamos com as indefinições do conflito no Irã e com o pé no acelerador fiscal brasileiro. Isso é inflação na veia e, por consequência, juros mais altos do que o esperado. Por outro lado, os dados de desemprego do mês vieram fortes, o que pode contrabalancear a inflação, já que um dos objetivos do Banco Central é justamente ponderar entre inflação e emprego. Essa dicotomia, juntamente com a incerteza da guerra e a eleição que se aproxima, faz baixar uma névoa densa em nosso caminho. O remédio para isso, mais uma vez, é a diversificação.
Nossos investimentos globais seguiram para o alto e avante. Renda Variável batendo novas máximas históricas e a renda fixa na continuidade do seu movimento de recuperação das quedas de fevereiro/março.
04 · DECISÕES DO MÊS
Nas últimas semanas, o Comitê revisou o posicionamento de algumas das estratégias. Alterações foram feitas para otimizar a relação risco/retorno, pois enxergamos outros produtos mais dinâmicos ou aderentes ao momento macroeconômico.
Outras por saída de gestores-chave da operação, e este é um dos critérios fundamentais da nossa metodologia. A saída de uma cabeça da gestão é uma luz vermelha. O novo gestor deve ser observado como se fosse um novo produto, do zero, e nunca com o dinheiro do nosso investidor. As saídas podem ser parciais ou totais, como nos casos mais drásticos.
Neste mês ainda tivemos um caso emblemático que trouxe à tona a importância das nossas conversas periódicas com os gestores. Durante uma dessas conversas, percebemos que, mesmo que o gestor não tenha mudado, houve uma alteração importante no que chamamos “modus operandi” da dinâmica da casa (coisas que não se percebe numa primeira conversa e que só aparecem quando se fala de perto com as pessoas). O que vimos é que as convicções começaram a ser maiores do que o próprio gestor, com proteções menores do que o usual em estratégias alavancadas e de longo prazo. Isso costuma gerar muita volatilidade e possibilidades de perdas maiores do que as aceitáveis. Além disso, essa gestora recebeu, nos últimos anos, um aporte de capital de um novo sócio institucional (sinal amarelo). Preferimos desembarcar e observar de fora. Nada impede que um dia voltemos.
05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Essa alta das posições em renda variável global nos fez começarmos a revisar o posicionamento nessa classe. Não com o objetivo de sair delas, mas de voltar aos percentuais ideais. Investidores que devem ter 5% talvez já estejam com 7% ou mais.
Além disso, não é novidade para nossos clientes as vantagens da previdência privada dentro de um planejamento financeiro e sucessório bem feito e completo. Esse cuidado vai muito além de retornos e envolve estarmos preparados para os momentos difíceis da vida. Um assunto que ainda não havíamos abordado, mas que pode ter uma grande importância, é sobre a lei que garante isenção de Imposto de Renda sobre resgates de previdência privada para portadores de doenças graves, como câncer, cardiopatias e esclerose múltipla, Parkinson, entre outras. É um benefício que alivia o peso financeiro num período já tão delicado, e que frequentemente passa despercebido. Nossa equipe está à disposição para verificar se essa isenção se aplica a você ou a um familiar, e para orientar sobre como aproveitá-la corretamente.
06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
O que está no radar do Comitê.
Um dos assuntos discutidos no comitê foi sobre o que acontecerá com as dívidas do setor agro se o super El Niño se consolidar. Nosso sócio, Antônio Newton da Luz (Economista-chefe da Farsul), trouxe luz e sobriedade à discussão.
De fato, o evento preocupa. Entretanto, precisamos dar o peso correto para isso. O super El Niño é uma condição necessária para eventos climáticos extremos, mas não é uma condição suficiente para tal. De qualquer forma, ele no mínimo causará atraso no plantio da primeira safra de soja. O ponto positivo é que os produtores sabem disso e se planejam para evitar problemas.
Os super El Niño são mais frequentes do que se imagina (tivemos vários nos últimos 50 anos), mas nem todos causam problemas, dado que existem outros fatores influenciadores. Há um importante trabalho de monitoramento em curso. Este foi um começo: ainda temos muitas conversas e dados a recolher com as gestoras para, ao longo de junho, aprofundarmos mais o assunto.
Cuidar é decidir.
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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.