Comitê de Estratégia — Carta Mensal: Agosto/26

01 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE

O que mudou

A esteira do mau humor de julho ainda levou o Ibovespa e bolsa local para baixo até meados de agosto, quando o ânimo do mercado mudou em cima de algumas expectativas que comentaremos a seguir, fazendo com que o índice fechasse quase zerado. Já os juros futuros tiveram quedas no mês, seguindo uma discreta melhora nas expectativas de inflação, mas principalmente por novos resultados de pesquisas eleitorais presidenciais.

O mês, ainda no início, teve uma redução da taxa Selic, de 0,25%, o quarto corte consecutivo, e a inflação, com resultado já em setembro, veio inclusive negativa (deflação de 0,32%). Apesar de ser um bom resultado, ele é sazonal, devido a um bônus de Itaipu (energia elétrica), e não deve ser visto como trégua no índice para o futuro.

O trabalho do Banco Central na decisão de baixar mais ou não segue sendo complexo. De um lado temos estes números melhores de inflação temporária e a atividade econômica que vem sistematicamente desacelerando, tanto consumo e indústria quanto serviços, e de outro, temos uma inflação latente contratada dada a diferença entre os preços dos combustíveis na bomba e aqueles negociados no mercado internacional. Ou seja, o Governo está artificialmente segurando estes preços via um subsídio que deve em breve estourar. Objetivos eleitorais?

O que permanece

Como o ambiente estrutural fiscal não teve alterações, a inflação segue próxima à banda superior da meta no horizonte relevante e gastos do Governo sem projetos para diminuição, mesmo com a atividade econômica desacelerando, as expectativas de novas quedas para as próximas decisões do BC começam a perder forças.

Como já comentamos nas nossas cartas anteriores, o mercado não possui ideologia, ele vê números e tendências, e o cenário que mudaria este quadro é o governo (este ou um novo) encarar o problema da dívida de frente. Pelas falas dos candidatos, sabemos quais enfrentariam o assunto com a devida seriedade.


02 · DECISÕES DO MÊS

Achamos importante trazer estas informações sempre a título de conhecimento e, principalmente, para que nossos clientes entendam como cada ativo responde a esses dados e o motivo pelo qual cada um deles desempenhou daquela forma. Entretanto, também é importante relembrar que usamos formas de proteger as carteiras dessas oscilações individuais. Diversificação, processos, critérios, estudos e acompanhamentos estão entre elas. E para trazer alguns exemplos disso como boas notícias, relembramos o trabalho que fizemos recentemente com os investimentos no setor Agro, bem como o estudo sobre renda fixa em FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) que fizemos ao longo de agosto.

FIDCS

A junção das informações que temos de fechamentos sistemáticos para captação desses fundos de FIDCs nas plataformas com os níveis recordes de endividamento e inadimplência no país, iniciamos um aprofundamento ainda maior e uma nova rodada de reuniões e diligências com as gestoras destes fundos para entender se houve alguma deterioração no ambiente dos mesmos. O diagnóstico é de que nosso processo de seleção de ativos foi eficiente.

Dentre os fundos que mantemos alocação, os dados mostram que não houve variações relevantes nos níveis de subordinação (espécie de buffer para proteção de inadimplências). A inadimplência dos títulos desses fundos também segue controlada e em níveis esperados, alguns fundos com um índice ainda melhor do que num passado recente. O caixa desses fundos segue um pouco maior do que o normal (proteção) e os critérios de seleção dos ativos, em alguns fundos, se tornaram ainda mais apertados (maior diligência, dado o cenário desafiador do crédito). E o principal, os fundos seguem muito bem diversificados. Alguns deles com uma diversificação ainda maior do que historicamente estavam.

SETOR AGRO · ACOMPANHAMENTO

Apesar da previsão de um super El Niño, os dados mostram que os problemas do setor podem ter ficado para trás. No triênio 23/24/25 houve uma safra significativamente maior do que o consumo, pressionando muito os preços dessas commodities. Agora em 2026 essa relação já se iguala e o mesmo deve ocorrer em 2027.

Isso significa que além de os preços já estarem bem acima do que em 2024, qualquer quebra de safra, seja no Brasil ou em outros grandes produtores, a resposta será em termos de aumento de preços, fazendo com que a receita do produtor seja maior. Os estoques mundiais que subiram em 23/24 e 25, agora estão menores e devem cair também em 27. China e Brasil ampliando consumo e EUA com uma seca se agravando. Para saber mais, ouça o podcast Dedo no Pulso, do nosso sócio e Economista Antônio da Luz.


03 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ

Nosso trabalho como assessores de investimentos hoje é bem conhecido. Entretanto, parte do nosso escopo foge ao trivial normalmente entregue no mercado e, se não falarmos, também passará despercebido, mesmo dada a sua importância crucial para a saúde patrimonial dos nossos clientes.

Estes estudos e análises citados nos parágrafos anteriores fazem parte do nosso trabalho. É silencioso, mas apesar de não ser visto, é importante para as carteiras, protege o investidor e agrega valor ao nosso modelo. Achamos importante trazer isso para a superfície, pois alguns investidores gostam de entender e de estarem bem informados. Esse trabalho faz parte da nossa proposta de valor, do nosso dever fiduciário e da nossa diligência com os produtos que colocamos nas carteiras. Para que todos possam reentrar na atmosfera de forma segura.


04 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO

Por fim, eleições estão chegando, mas muita matéria ainda será sugada por buracos negros até lá… Às vezes aviões caem, em outras facadas são desferidas e às vezes sessões judiciais também podem mudar cursos em andamento.

Cuidar é decidir.

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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos 
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos

Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.

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Assessor de Investimentos orientado a processos. Certificado pela ANCORD e como auditor interno ISO 9001:2015.

Rafael Kollet

Sócio, psicólogo pela PUCRS e MBA em Negociação e Resultados de Alta Performance. Possui mais de 15 anos de experiência em gestão de pessoas, desenvolvimento de lideranças, estratégia empresarial e geração de resultado.

Hyago Scienza

Assessor de investimentos há mais de 12 anos, economista, une rigor analítico e acompanhamento próximo para sustentar cada decisão da carteira do cliente.

Guilherme Fiad

Assessor de investimentos certificado ANCORD, reúne formação em Direito e tecnologia com foco em acompanhamento próximo do planejamento financeiro e linguagem descomplicada.

Aderson Gegler, Ph.D.

Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos, idealizador do Comitê de Estratégia. PhD em Sistemas Quantitativos pela PUCRS e Universität Salzburg, Mestre em Ciências pela UFRGS e MBA em Gestão pela FGV. Foi professor universitário de graduação e pós-graduação, com centenas de alunos formados em finanças comportamentais e mercado financeiro. Atua na área há mais de 20 anos.

Ezequiel Karling

Co-CEO da Moinhos Investimentos, à frente das operações. Economista pela PUCRS, com certificações CPA-20, ANCORD, FBB 100 e PQO Bovespa. Atua no mercado financeiro há 19 anos.

Cassius Zenon da Silva

Advogado e contador, atua na área do direito tributário e das estruturações societárias com ênfase em M&A, sucessões e internacionalização de investimentos. Atuante no Zavagna Gralha Advogados Associados, sócio advogado do Zenon & Becker Advogados, sócio do Keep Gestão Contábil, sócio do Sólido Estrutura de Negócios e sócio da Moinhos Investimentos.

Antônio da Luz

Economista, Mestre e Doutor em Economia (UFRGS e PUC-RS), atua como Economista-Chefe do Sistema Farsul e é CEO da Agromoney. Consultado pelo Banco Central para o Relatório Focus, foi eleito Economista do Ano pelo Corecon-RS (2017) e agraciado com a Medalha Assis Brasil (2019) e o Troféu O Semeador (2024).

Alexandre Engel

Assessor de Investimentos. Engenheiro Industrial com trajetória no mercado imobiliário antes da assessoria.

Alexandre Augusto Schmitt

Assessor de Investimentos. Graduado em Ciências Econômicas e empreendedor no ramo de indústria de alimentos.

Bruno Giordani Lampert dos Santos

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Ciências Econômicas pela PUC-RS. Certificado pela ANCORD.

Diego Hailliot Duarte

Assessor de Investimentos com 23 anos de mercado financeiro e bancário. Administrador pela UFRGS, com pós-graduação em Controladoria e Finanças. Certificações: CPA-10, ANCORD, FBB 100.

Eduardo Dillenburg

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Administração. Certificações: ANCORD, FBB 100.

Iuri da Silva

Assessor de Investimentos com 10 anos de mercado. Certificação CEA (ANBIMA).

Ítalo Capelão Brandão

Assessor de Investimentos responsável pela área Pessoa Jurídica da Moinhos Investimentos. Administrador, com experiência prévia em atendimento a empresas. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

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Assessor de Investimentos com 13 anos de mercado. Mestre e pós-graduado em Administração de Marketing pela UEL, graduado em Administração de Empresas pela FAESO.

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Assessor de Investimentos com mais de 5 anos de mercado financeiro. Acadêmico de Economia, com foco em macroeconomia e análise fundamentalista de ações.

Marco Antonio Guimarães

Assessor de Investimentos. Graduado em Direito e em Economia, pós-graduado em Ciências Políticas e MBA em Finanças. Certificações: ANCORD, FBB 100, PQO Backoffice.

Micael Gustavo Krindges

Assessor de Investimentos. Internacionalista pela UNIVATES, com intercâmbio em International Business na FH Vorarlberg (Áustria) e pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking pela PUC-RS. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

Ricardo José Denaldi

Assessor de Investimentos. Economista pela USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM e MBA em Controladoria e Finanças pela FGV-Brasília. Certificações: CPA-10, ANCORD, CEA (ANBIMA).