01 · FRASE DO DIA
“Seu futuro ainda não foi escrito. O de ninguém foi. Seu futuro é o que você fizer dele.”
— Dr. Emmett Brown, De Volta Para o Futuro
02 · O QUE O MÊS ENSINOU
De Volta para o Futuro
Por aqui, apesar da queda do preço do petróleo e de a Selic ter tido mais uma queda de 0,25%, o juro futuro não nos deu trégua. A pergunta fica: qual é o problema, então?
A resposta está em um tema que nos fascina: viagem no tempo. Em Feitiço do Tempo um repórter meteorológico fica preso em um loop temporal vivendo eternamente no mesmo dia de sua vida. No filme, ele passa por várias fases, egoísmo, desespero, transformação pessoal, e utiliza o tempo infinito para se tornar uma pessoa melhor, tentando novas estratégias a cada nova oportunidade, evoluindo a cada dia. Aqui temos a nossa versão própria de viagem no tempo, também em forma de aprisionamento temporal.
À revelia da evolução da esquerda mais moderna no mundo, a nossa está presa ao passado. A esquerda (vamos chamar de moderna) mundo afora já entendeu a importância de cuidar do fiscal e as consequências disso para a inflação e juro baixo na economia. Podemos ver isso em diversos países da Europa, também no bloco, no Canadá e inclusive no governo anterior do nosso vizinho Chile. Entretanto, o que acontece no Brasil é muito diferente disso. Nossa Esquerda não evoluiu, ela segue aplicando as ideias pré-queda do Muro de Berlim e do desmantelamento da URSS. Sem contar o caminho da economia heterodoxa que, toda vez que implementada, resulta em desastre. Ainda acha que gasto público não resultam em custos astronômicos com o serviço da dívida. Imagine como será o Brasil quando descobrirem que poderíamos gastar com o social o que economizamos com juros, R$ 1 trilhão por ano (serviço da dívida brasileira).
Mas como diz o livro de Simmel, Ainda Resta Uma Esperança. Sábias são as palavras do Dr. Brown para McFly em De Volta para o Futuro: “Seu futuro ainda não foi escrito. O de ninguém foi. Seu futuro é o que você fizer dele.” Sempre podemos mudar!
03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
Ormuz e o Estreito de Schödinger
Tentamos, há vários meses, parar de escrever sobre Ormuz. A geopolítica não tem permitido, mas até o mercado cansou desse tema. O estreito chegou a virar meme, trocou de nome para Estreito de Schödinger, numa alegoria ao experimento físico/filosófico do Gato de Schrödinger, onde o felino poderia estar ao mesmo tempo vivo ou morto dentro de uma caixa. O Estreito em alguns momentos esteve aberto e fechado ao mesmo tempo.
Ninguém sabia a real situação e possibilidade de passagem de transporte marítimo de petróleo por lá! Após mais um anúncio de fim do conflito, inclusive com negociações avançadas na Suíça, voltamos a ver ataques de ambos os lados na região. O que há de diferente dessa vez? O preço do petróleo praticamente não se alterou. O petróleo hoje já está nos mesmos patamares do pré-guerra. Por outro lado, juros seguem subindo ao redor do globo, agora por outros motivos. Fiscal e inflação, e inflação além da commodity.
04 · DECISÕES DO MÊS
El Niño vs Dívidas Agro II
Durante o mês, o Comitê conduziu com profundidade um estudo específico sobre risco climático e crédito agro. Avaliamos as gestoras dos fundos que selecionamos para entender se entregam a segurança de que precisamos e onde investir no agro sem assumir riscos desnecessários.
“O super El Niño aumenta o risco de eventos climáticos extremos, mas não determina, sozinho, que eles vão ocorrer.”
— Antônio da Luz · Economista-chefe da Farsul e sócio da Moinhos Investimentos
Como já trouxemos na carta passada, nossos estudo sobre o tema El Niño seguiu durante o mês de junho. No dia 11, a NOAA confirmou oficialmente o início do fenômeno e buscamos conversas aprofundadas com diversas gestoras sobre o tema. Compilamos aqui os principais pontos de atenção e de atuação. Para informações mais aprofundadas, estamos sempre à disposição.
O mercado de crédito agro amadureceu sua abordagem ao risco climático. Ao invés de tentar antecipar índices pluviométricos, o foco passou para a resiliência financeira e estrutural das operações. O clima é hoje tratado como um custo mitigável, não como evento terminal para os fundos.
As casas de gestão combinam, em proporções distintas, quatro frentes de proteção:
1. Robustez de cadeia produtiva
Exposição concentrada em setores e empresas com histórico comprovado de absorver choques climáticos, ajustando cronogramas produtivos (como postergação de moagem ou colheita) sem comprometer a capacidade de pagamento.
2. Proximidade e monitoramento ativo
Acompanhamento direto e recorrente dos produtores e emissores, permitindo identificação precoce de sinais de deterioração e viabilizando renegociações amigáveis antes que o problema se torne sistêmico.
3. Controle de duration e seletividade
Redução de prazos (operações “safra-a-safra”) e gestão de ativos e passivos, possibilitando a interrupção rápida da renovação de linhas ao primeiro sinal de instabilidade severa, além de garantir alongamento de dívida para emissores de maior porte, evitando descasamentos de liquidez.
4. Blindagem estrutural
Uso de subordinação (camadas júnior absorvendo primeiras perdas), travas contratuais, pulverização de risco e atuação concentrada em tranches seniores/mezanino, isolando o fundo do risco físico independentemente do desempenho operacional do emissor.
Há ainda um fator estrutural de fundo, o agronegócio nacional está estatisticamente menos sensível ao clima do que há uma década, impulsionado pelo avanço agrotech (maior resistência a estresse hídrico) e por evoluções no manejo de solo, que ampliam a retenção de umidade e reduzem o impacto de secas prolongadas.
Dessa forma, a diversificação das estratégias (fundamentalista, estrutural, de proximidade e de duration), somada à evolução tecnológica do setor, reduzem a correlação direta entre eventos climáticos isolados e perdas materiais nas carteiras de crédito agro.
05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Testamento: o silêncio custa caro
Considerando também a tese do filme “Efeito Borboleta”, na qual nossas atitudes de hoje trazem consequências as vezes catastróficas no futuro, falar sobre sucessão em um tempo no qual mudanças tributárias acontecem mensalmente não deveria ser uma opção, mas sim uma necessidade.
Nessa seara, o testamento é uma ferramenta extremamente subutilizada no Brasil. Além de fácil, barata, rápida e simples, ele só não deveria ser a única ferramenta. Deve fazer parte de uma estratégia como um braço organizador do todo. Falar sobre o assunto ainda é, para muitos, um exercício de desconforto. Associamos o tema à finitude e preferimos adiá-lo para “quando for a hora certa”. Mas a experiência mostra que a hora certa raramente chega por escolha, acaba sendo imposta pelas circunstâncias.
A ausência de um testamento não evita o assunto, apenas transfere a decisão para outras mãos. Sem uma manifestação de vontade clara, é a lei, e não a família, quem define como o patrimônio será dividido. Processos que poderiam ser simples se tornam longos, custosos e, não raro, geradores de desgaste entre herdeiros justamente no momento em que mais precisariam de união e conforto.
Um testamento bem estruturado não é um documento sobre a morte. É um instrumento de cuidado em vida. Permite que a vontade do patriarca ou da matriarca seja respeitada, reduz espaço para disputas, e pode trazer eficiência tributária e organização que beneficiam diretamente quem fica.
Com as mudanças recentes na legislação sucessória e tributária, esse planejamento ganha ainda mais relevância. Antecipar essas decisões, com apoio técnico adequado, é uma forma de proteger não apenas o patrimônio, mas também a memória de quem deixa esse legado.
Se esse é um tema que você vem adiando, talvez este seja o momento de trazê-lo para a conversa com o seu especialista Moinhos Investimentos.
06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
O que está no radar do Comitê.
Ormuz e o preço do petróleo
Seguimos acompanhando o Estreito de Schödinger. O petróleo já voltou aos patamares do pré-guerra, mas o quadro geopolítico permanece instável.
Fiscal e juro futuro
A queda de 0,25% da Selic não trouxe alívio ao juro futuro. O tema fiscal segue no centro das discussões e da precificação dos ativos.
El Niño e crédito agro
Com o fenômeno oficialmente confirmado pela NOAA, seguimos monitorando as gestoras selecionadas para entender como cada estratégia responde ao risco climático nas próximas safras.
Cuidar é decidir.
Seu patrimônio merece decisões financeiras íntegras, e uma metodologia de investimentos fundamentada em estudos científicos há 18 anos.
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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.