01 · FRASE DO DIA
“A regressão à média é a forma técnica de dizer que as coisas sempre se equilibram.”
— Angus Deaton
02 · O QUE O MÊS ENSINOU
Reflexão
Após um mês de março cheio de incertezas dada a turbulência da guerra e das desancoragens inflacionárias locais, tivemos um abril no qual diversos componentes das carteiras já demonstraram uma boa e rápida recuperação, muito em função de carteiras sistematicamente diversificadas e descorrelacionadas. Aqui cabe uma reflexão importante, visto que os movimentos não aconteceram sem algum desconforto.
Quando temos movimentos como os de março, com incertezas e volatilidade, é natural que você espere que seu assessor proponha alterações nas carteiras nestes momentos, com a ideia de se fazer algum tipo de proteção. Entretanto, na maioria dos casos, essa proteção já existe quando as carteiras são bem estruturadas e quando seguem alguns conceitos básicos de composição de portfólios somados à qualidade dos ativos.
“É como se tivéssemos que alterar os equipamentos de um avião em pleno voo quando passamos por alguma turbulência. Na verdade, o equipamento já está preparado para isso. Nada precisou ser feito, veio abril e o mercado se recuperou.”
— Aderson Gegler
03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
O que mudou
Selic com um novo corte na semana passada, 0,25%, para 14,50% ao ano. Singelo, mas é o que podemos.
Notícias boas: os investimentos recuperaram boa parte das perdas de março e mais uma vez vimos que nossas carteiras estão preparadas para turbulências.
Na renda fixa, o crédito privado, que trouxe as dúvidas que discutimos na carta do mês passado, de vilão, agora passa para o lado do mocinho. Como o valor dos ativos caiu, as taxas e spreads passaram a ficar bem mais altas. Alguns fundos muito bons com suas carteiras girando com carregos de CDI+2% ou 2,1%.
O que permanece
Notícias ruins: os problemas não foram resolvidos. Nem a guerra, nem o nosso fiscal. Entretanto, a guerra deixou de ter a importância que tinha nas discussões de mercado, assim como foi a Guerra Rússia-Ucrânia, e o fiscal… bom, esse iremos falar muito ainda, principalmente por ser ano eleitoral.
E aqui observamos uma dicotomia entre o mercado de renda fixa e o de renda variável. De um lado, o “risco moral” da renda fixa, que reprecificou os títulos para baixo por medo de novos pedidos de recuperação extra ou judicial. De outro, um mercado de renda variável doméstica que, no ano, já subiu quase 18%. Muitas empresas são as mesmas nos dois mercados, mas as visões são antagônicas.
Como pode termos uma incerteza tão grande quanto à saúde das empresas de um lado, e uma visão tão otimista de crescimento dessas mesmas empresas de outro? O mercado é um somatório de forças de todos os investidores que, no curto prazo, muitas vezes não são racionais ou eficientes. E aqui temos mais um dos 1.378 motivos para pensarmos essa corrida no longo prazo, e não na linha de chegada de cada mês.
04 · DECISÕES DO MÊS
O que aprovamos, o que recusamos, o que mantivemos
Aprovamos
Aproveitamento seletivo da abertura de spreads em crédito privado de boa qualidade, em fundos cuja carteira já era acompanhada pelo Comitê. Janela avaliada com prudência, sem alteração de teto de exposição por perfil.
Recusamos
Imagine que, após o mês de março, um investidor tenha decidido diminuir substancialmente o risco de sua carteira por conta das incertezas. A recuperação dos mercados que tivemos em abril não teria surtido efeito na carteira deste investidor. O risco alocado sempre deve ser ajustado para aquele que o investidor aguenta no pior cenário, e não alterado em momentos de crise ou euforia, pois isso faria justamente a recuperação não acontecer.
Readequar uma carteira para diminuir risco depois de quedas é o que o senso comum sempre sugere fazer, mas é o inverso do que a lógica e as teorias de portfólios preconizam.
Mantivemos
É claro que a recuperação poderia ainda não ter ocorrido. Entretanto, as carteiras montadas possuem características acíclicas. Uma carteira bem alocada não tem o objetivo de girar dia e noite acima do CDI, isso não é “fisicamente” possível. Mas ela deve ter menos volatilidade, pelas características quantitativas, e buscar retornos acima do benchmark no longo prazo, pelas escolhas qualitativas dos bons ativos que a compõem.
05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Pouca movimentação não é falta de cuidado.
Na Moinhos Investimentos, entendemos a ânsia por mudanças nestes momentos. Enquanto investidores, fomos treinados para ser assim. Apesar de a Moinhos ter adotado o fee-based para os seus clientes já em 2020, o mercado está começando a discutir o assunto apenas agora, o que traz uma mudança brutal na forma de trabalho do profissional de investimentos e no formato de composição das carteiras, e como consequência, também na sua carteira. O assessor deixa de ter incentivos para realizar frequentes trocas de ativos, para focar na qualidade dos produtos e na composição da carteira. E nossos investidores têm uma sofisticação maior por entender essa profissionalização na formação de suas carteiras.
“As poucas trocas se dão pela robustez de uma metodologia bem desenhada de seleção de ativos, de estudos consubstanciados em processos quantitativos e qualitativos antes de cada escolha, e consequentemente pela maior qualidade dos ativos, com menor necessidade de trocas ou de giros.”
— Aderson Gegler
Nesta linha temos estudos que corroboram nossa tese e mostram que as carteiras mais rentáveis são de investidores que já morreram e que ficaram muitos anos sem realizar alterações em suas carteiras, seja por estarem em inventários ou simplesmente por terem sido esquecidas ou abandonadas (Fidelity, 2014).
06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
O que está no radar do Comitê.
As alterações, desde que tenhamos bons produtos nas carteiras, só deveriam ser realizadas depois de grandes movimentações cíclicas. Por exemplo, um investidor tem definido pelo seu perfil que deve ter 15% de renda variável em sua carteira. Depois de um período de quedas significativas destes ativos, ele pode estar com 10%. Este é o momento em que ele deveria ter 5% do seu patrimônio realocado para a renda variável novamente, buscando estar bem posicionado para o eventual ciclo de recuperação deste mercado. E o inverso também é verdadeiro: após um período de grandes altas, ele deveria diminuir o risco para nova adequação, realocando parte da sua renda variável para a renda fixa.
07 · EXTRA
Algo mudou por aqui.
Você deve ter notado que algo mudou por aqui. Acompanhando o reposicionamento da Moinhos Investimentos, trouxemos uma nova estrutura para a Carta Mensal, mais dinâmica e coerente com o nosso novo momento.
Além disso, estamos com novo site e novos conteúdos. Vale a pena acompanhar para conhecer mais sobre a Moinhos, e se manter atualizado sobre o que é relevante para os seus investimentos.
Assista ao nosso novo vídeo institucional, que sintetiza tudo o que acreditamos e o que nos move diariamente:
Cuidar é decidir.
Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista. Referência: Fidelity, Best Investors Are Dead (2014). Disponível em meridianfinancialpartners.com.