01 · FRASE DO DIA
“O mercado financeiro é um mecanismo de transferência
de dinheiro dos impacientes para os pacientes.”— Warren Buffett
02 · O QUE O MÊS ENSINOU
Reflexão
Alguns ativos financeiros, neste mês de julho, parecem ter interpretado Alice, do famoso conto de Lewis Carroll, de 1865, no País das Maravilhas. Os índices de renda variável tanto global quanto local começaram e terminaram em locais muito parecidos, como Alice, à sombra da árvore acordando após suas andanças no mesmo local que inicia sua jornada. Entretanto, a aventura que os mercados viveram durante o mês foi tanto ou mais emocionante do que um coelho atrasado, uma rainha louca ou uma lagarta entorpecida.
Aqui, bolsa começou pesada, seguindo a tendência dos meses anteriores, mas bons resultados de balanços e um leve fluxo estrangeiro, trouxeram alguma valorização, mas não sem a volatilidade do medo da eleição que se aproxima.
Já lá fora, tivemos um mês que, olhando de fora, aparentemente nada de importante aconteceu, pois o índice parece ter “ficado de lado”. Entretanto, tivemos uma importante mudança no foco das alocações dos setores econômicos. Houve uma queda de grande magnitude em algumas empresas de Inteligência Artificial e uma alta em empresas de “valor”, mais tradicionais. Assim, apesar de o índice parecer comportado, esse fluxo interno fez de alguns fundos discricionários o céu e outros o inferno. Como nos protegemos? Diversificação e alocação respeitando limites e perfis.
03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
O que mudou
Inflação doméstica teve um mês muito comportada, fechando a 0,07% e trazendo alguma esperança de juros menores no futuro, apesar de juros futuros terem subido por medo do fiscal (sinceramente já cansamos de escrever isso). Ativos ligados ao IPCA foram detratores.
O que permanece
Como já comentamos aqui, dadas as incertezas político-econômicas que vivemos no Brasil (e sejamos justos, nos EUA também, em parte, por mais que em outra magnitude), as carteiras vêm pouco a pouco diminuindo risco. Esse assunto nunca saiu do radar, mas com a proximidade da eleição, esse mês veio com força.
04 · DECISÕES DO MÊS
Apesar das teorias que pregam que os mercados são cíclicos e por isso eventos poderiam ser previstos (Ray Dalio) ou de outras que enxergam o futuro ainda como resultado dos desejos e objetivos dominados pela natureza humana (Niall Ferguson), como a busca por poder, dominância e controle, ainda precisamos olhar a estatística e a probabilidade.
A história mostra que tentar prever resultados de eventos nunca é uma boa ideia. Se o mercado de fato for cíclico, o que seria um gatilho visível de mudança? Se a natureza humana ainda se sobrepõe nas mudanças, o que Homero, Platão, Maquiavel, Hobbes, Dostoievski e outros podem nos falar sobre timing? Jogar uma moeda dez vezes e ter como resultado “cara” nos faz ter uma chance de qual percentual de ter “coroa” na 11ª jogada? Em uma noite de 1913, no Cassino de Monte Carlo, apostadores perderam fortunas ao fazerem apostas repetidas no vermelho na roleta e o resultado foi 26 resultados pretos consecutivos (Falácia do Jogador). As chances da moeda continuam sendo de 50%! E nos mercados vemos essa aleatoriedade nos fractais de Mandelbrot.
“Too often, an event’s importance is not recognized
until it is too late for proper recording.”
— Benoît Mandelbrot
Assim, quais são os cenários que temos para os próximos 60 dias? Diminuir risco ainda mais, para os mais conservadores ou manter as posições, desde que com diversificação e dentro do perfil de cada investidor. Isso não é apostar, isso é controlar risco. E claro, no meio destas duas alternativas segue havendo uma infinidade de “tons de cinza”.
05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Pense em como você se sente com o atual nível de risco da sua carteira. Como se sentiria mantendo esse risco em ambos os cenários possíveis. E como se sentiria diminuindo o risco da carteira no resultado de melhora de cenário. O que sugerimos é uma conversa muito franca com o seu assessor.
Planejamento Sucessório
DOAÇÃO EM VIDA DE IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS: UMA JANELA QUE ESTÁ SE FECHANDO
O planejamento sucessório no Brasil ganhou um novo senso de urgência nos últimos dois anos. A razão é o ITCMD — o imposto sobre herança e doação —, que está passando pela maior reforma de sua história, e a mudança penaliza justamente quem esperar.
Este texto trata da doação em vida como instrumento de antecipação patrimonial, com foco em imóveis e participações societárias (quotas e ações de empresas fechadas, holdings). Deixamos de lado a doação de investimentos financeiros líquidos porque muitas vezes esse é o recurso que os doadores/proprietários usam para sua subsistência e também porque, nesses ativos, o diferimento fiscal (não pagar imposto agora) tende a deixar a base monetária maior, podendo gerar mais valor final para a família no futuro se o ITCMD for pago mais tarde, mesmo que sobre um valor mais alto. Além de já termos quase exaurido o tema com uma solução via previdência privada.
O QUE MUDOU
A Emenda Constitucional 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do ITCMD em todos os estados — quanto maior o valor transmitido, maior a alíquota, até o teto de 8%. A Lei Complementar 227/2026, sancionada em janeiro deste ano, foi além: determinou que a base de cálculo passa a ser o valor de mercado do bem, e não mais o valor histórico ou venal. Para participações societárias, isso significa considerar o patrimônio líquido ajustado a valor de mercado. Entretanto, isso já era prática em praticamente todas as unidades federativas há alguns anos.
No Rio Grande do Sul, o imposto já é progressivo (3% a 6%). Como as leis estaduais aprovadas em 2026 só produzem efeito a partir de 2027 (princípio da anterioridade), o risco é termos um aumento nas alíquotas aprovado ainda este ano.
A CORRIDA AOS CARTÓRIOS
Os números confirmam o movimento: segundo o Colégio Notarial do Brasil, em reportagem do Valor, os cartórios registraram em 2025 o maior volume histórico de escrituras de doação de imóveis — quase 186 mil atos, 59% a mais que em 2020. A reportagem chama a atenção para uma janela de planejamento que se estreita a cada mês, com expectativa de fechamento ainda em 2026.
COMO ESTRUTURAR BEM
Doar em vida não precisa significar abrir mão do controle. As estruturas mais usadas combinam a transferência da propriedade com reserva de usufruto e, no caso de empresas, acordos de quotistas que preservam a governança após a doação.
Se sua família tem imóveis ou participações relevantes ainda em nome dos patriarcas ou matriarcas, este é o momento de simular os números. Saiba mais sobre a importância de se dedicar planejamento sucessório ainda em 2026 no blog que dedicamos ao tema. Estamos aqui para ajudar neste processo multidisciplinar.
06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
Estamos há menos de dois meses de um evento binário, que pode mudar a situação atual ou mantê-la como está, talvez até se agravando. Fato é que neste período, haverá volatilidade por conta do evento e o Comitê vem discutindo isso com afinco.
Cuidar é decidir.
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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.