Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Abril/26

01 · FRASE DO DIA 

“A regressão à média é a forma técnica de dizer que as coisas sempre se equilibram.” 
— Angus Deaton 


02 · O QUE O MÊS ENSINOU 

Reflexão

Após um mês de março cheio de incertezas dada a turbulência da guerra e das desancoragens inflacionárias locais, tivemos um abril no qual diversos componentes das carteiras já demonstraram uma boa e rápida recuperação, muito em função de carteiras sistematicamente diversificadas e descorrelacionadas. Aqui cabe uma reflexão importante, visto que os movimentos não aconteceram sem algum desconforto. 

Quando temos movimentos como os de março, com incertezas e volatilidade, é natural que você espere que seu assessor proponha alterações nas carteiras nestes momentos, com a ideia de se fazer algum tipo de proteção. Entretanto, na maioria dos casos, essa proteção já existe quando as carteiras são bem estruturadas e quando seguem alguns conceitos básicos de composição de portfólios somados à qualidade dos ativos. 

É como se tivéssemos que alterar os equipamentos de um avião em pleno voo quando passamos por alguma turbulência. Na verdade, o equipamento já está preparado para isso. Nada precisou ser feito, veio abril e o mercado se recuperou. 
 — Aderson Gegler


03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE 

O que mudou 

Selic com um novo corte na semana passada, 0,25%, para 14,50% ao ano. Singelo, mas é o que podemos. 

Notícias boas: os investimentos recuperaram boa parte das perdas de março e mais uma vez vimos que nossas carteiras estão preparadas para turbulências. 

Na renda fixa, o crédito privado, que trouxe as dúvidas que discutimos na carta do mês passado, de vilão, agora passa para o lado do mocinho. Como o valor dos ativos caiu, as taxas e spreads passaram a ficar bem mais altas. Alguns fundos muito bons com suas carteiras girando com carregos de CDI+2% ou 2,1%. 

O que permanece 

Notícias ruins: os problemas não foram resolvidos. Nem a guerra, nem o nosso fiscal. Entretanto, a guerra deixou de ter a importância que tinha nas discussões de mercado, assim como foi a Guerra Rússia-Ucrânia, e o fiscal… bom, esse iremos falar muito ainda, principalmente por ser ano eleitoral. 

E aqui observamos uma dicotomia entre o mercado de renda fixa e o de renda variável. De um lado, o “risco moral” da renda fixa, que reprecificou os títulos para baixo por medo de novos pedidos de recuperação extra ou judicial. De outro, um mercado de renda variável doméstica que, no ano, já subiu quase 18%. Muitas empresas são as mesmas nos dois mercados, mas as visões são antagônicas.  

Como pode termos uma incerteza tão grande quanto à saúde das empresas de um lado, e uma visão tão otimista de crescimento dessas mesmas empresas de outro? O mercado é um somatório de forças de todos os investidores que, no curto prazo, muitas vezes não são racionais ou eficientes. E aqui temos mais um dos 1.378 motivos para pensarmos essa corrida no longo prazo, e não na linha de chegada de cada mês. 


04 · DECISÕES DO MÊS 

O que aprovamos, o que recusamos, o que mantivemos

Aprovamos 

Aproveitamento seletivo da abertura de spreads em crédito privado de boa qualidade, em fundos cuja carteira já era acompanhada pelo Comitê. Janela avaliada com prudência, sem alteração de teto de exposição por perfil. 

Recusamos 

Imagine que, após o mês de março, um investidor tenha decidido diminuir substancialmente o risco de sua carteira por conta das incertezas. A recuperação dos mercados que tivemos em abril não teria surtido efeito na carteira deste investidor. O risco alocado sempre deve ser ajustado para aquele que o investidor aguenta no pior cenário, e não alterado em momentos de crise ou euforia, pois isso faria justamente a recuperação não acontecer. 

Readequar uma carteira para diminuir risco depois de quedas é o que o senso comum sempre sugere fazer, mas é o inverso do que a lógica e as teorias de portfólios preconizam. 

Mantivemos 

É claro que a recuperação poderia ainda não ter ocorrido. Entretanto, as carteiras montadas possuem características acíclicas. Uma carteira bem alocada não tem o objetivo de girar dia e noite acima do CDI, isso não é “fisicamente” possível. Mas ela deve ter menos volatilidade, pelas características quantitativas, e buscar retornos acima do benchmark no longo prazo, pelas escolhas qualitativas dos bons ativos que a compõem. 


05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ 

Pouca movimentação não é falta de cuidado. 

Na Moinhos Investimentos, entendemos a ânsia por mudanças nestes momentos. Enquanto investidores, fomos treinados para ser assim. Apesar de a Moinhos ter adotado o fee-based para os seus clientes já em 2020, o mercado está começando a discutir o assunto apenas agora, o que traz uma mudança brutal na forma de trabalho do profissional de investimentos e no formato de composição das carteiras, e como consequência, também na sua carteira. O assessor deixa de ter incentivos para realizar frequentes trocas de ativos, para focar na qualidade dos produtos e na composição da carteira. E nossos investidores têm uma sofisticação maior por entender essa profissionalização na formação de suas carteiras. 

“As poucas trocas se dão pela robustez de uma metodologia bem desenhada de seleção de ativos, de estudos consubstanciados em processos quantitativos e qualitativos antes de cada escolha, e consequentemente pela maior qualidade dos ativos, com menor necessidade de trocas ou de giros.” 
— Aderson Gegler 

Nesta linha temos estudos que corroboram nossa tese e mostram que as carteiras mais rentáveis são de investidores que já morreram e que ficaram muitos anos sem realizar alterações em suas carteiras, seja por estarem em inventários ou simplesmente por terem sido esquecidas ou abandonadas (Fidelity, 2014). 


06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO 

O que está no radar do Comitê. 

As alterações, desde que tenhamos bons produtos nas carteiras, só deveriam ser realizadas depois de grandes movimentações cíclicas. Por exemplo, um investidor tem definido pelo seu perfil que deve ter 15% de renda variável em sua carteira. Depois de um período de quedas significativas destes ativos, ele pode estar com 10%. Este é o momento em que ele deveria ter 5% do seu patrimônio realocado para a renda variável novamente, buscando estar bem posicionado para o eventual ciclo de recuperação deste mercado. E o inverso também é verdadeiro: após um período de grandes altas, ele deveria diminuir o risco para nova adequação, realocando parte da sua renda variável para a renda fixa. 


07 · EXTRA 

Algo mudou por aqui. 

Você deve ter notado que algo mudou por aqui. Acompanhando o reposicionamento da Moinhos Investimentos, trouxemos uma nova estrutura para a Carta Mensal, mais dinâmica e coerente com o nosso novo momento. 

Além disso, estamos com novo site e novos conteúdos. Vale a pena acompanhar para conhecer mais sobre a Moinhos, e se manter atualizado sobre o que é relevante para os seus investimentos.  

Assista ao nosso novo vídeo institucional, que sintetiza tudo o que acreditamos e o que nos move diariamente: 

Cuidar é decidir. 

Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos 
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos

Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista. Referência: Fidelity, Best Investors Are Dead (2014). Disponível em meridianfinancialpartners.com. 

EDIÇÕES ANTERIORES

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia — Carta Mensal: Agosto/26

Alice no País das Maravilhas adaptado à identidade da Moinhos Investimentos

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Julho/26

Carta Mensal - De Volta Para o Futuro - Comitê de Estratégia Moinhos Investimentos

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Junho/26

OUTRAS EDIÇÕES

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Maio/26

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Abril/26

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Março/26

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Fevereiro/26

CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Janeiro/26

Receba as Cartas do Comitê.

Cartas mensais do Comitê de Estratégia direto no seu e-mail.

Compartilhar

Arthur Zart

Assessor de Investimentos orientado a processos. Certificado pela ANCORD e como auditor interno ISO 9001:2015.

Rafael Kollet

Sócio, psicólogo pela PUCRS e MBA em Negociação e Resultados de Alta Performance. Possui mais de 15 anos de experiência em gestão de pessoas, desenvolvimento de lideranças, estratégia empresarial e geração de resultado.

Hyago Scienza

Assessor de investimentos há mais de 12 anos, economista, une rigor analítico e acompanhamento próximo para sustentar cada decisão da carteira do cliente.

Guilherme Fiad

Assessor de investimentos certificado ANCORD, reúne formação em Direito e tecnologia com foco em acompanhamento próximo do planejamento financeiro e linguagem descomplicada.

Aderson Gegler, Ph.D.

Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos, idealizador do Comitê de Estratégia. PhD em Sistemas Quantitativos pela PUCRS e Universität Salzburg, Mestre em Ciências pela UFRGS e MBA em Gestão pela FGV. Foi professor universitário de graduação e pós-graduação, com centenas de alunos formados em finanças comportamentais e mercado financeiro. Atua na área há mais de 20 anos.

Ezequiel Karling

Co-CEO da Moinhos Investimentos, à frente das operações. Economista pela PUCRS, com certificações CPA-20, ANCORD, FBB 100 e PQO Bovespa. Atua no mercado financeiro há 19 anos.

Cassius Zenon da Silva

Advogado e contador, atua na área do direito tributário e das estruturações societárias com ênfase em M&A, sucessões e internacionalização de investimentos. Atuante no Zavagna Gralha Advogados Associados, sócio advogado do Zenon & Becker Advogados, sócio do Keep Gestão Contábil, sócio do Sólido Estrutura de Negócios e sócio da Moinhos Investimentos.

Antônio da Luz

Economista, Mestre e Doutor em Economia (UFRGS e PUC-RS), atua como Economista-Chefe do Sistema Farsul e é CEO da Agromoney. Consultado pelo Banco Central para o Relatório Focus, foi eleito Economista do Ano pelo Corecon-RS (2017) e agraciado com a Medalha Assis Brasil (2019) e o Troféu O Semeador (2024).

Alexandre Engel

Assessor de Investimentos. Engenheiro Industrial com trajetória no mercado imobiliário antes da assessoria.

Alexandre Augusto Schmitt

Assessor de Investimentos. Graduado em Ciências Econômicas e empreendedor no ramo de indústria de alimentos.

Bruno Giordani Lampert dos Santos

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Ciências Econômicas pela PUC-RS. Certificado pela ANCORD.

Diego Hailliot Duarte

Assessor de Investimentos com 23 anos de mercado financeiro e bancário. Administrador pela UFRGS, com pós-graduação em Controladoria e Finanças. Certificações: CPA-10, ANCORD, FBB 100.

Eduardo Dillenburg

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Administração. Certificações: ANCORD, FBB 100.

Iuri da Silva

Assessor de Investimentos com 10 anos de mercado. Certificação CEA (ANBIMA).

Ítalo Capelão Brandão

Assessor de Investimentos responsável pela área Pessoa Jurídica da Moinhos Investimentos. Administrador, com experiência prévia em atendimento a empresas. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

Jefferson Henrique Correa

Assessor de Investimentos com 13 anos de mercado. Mestre e pós-graduado em Administração de Marketing pela UEL, graduado em Administração de Empresas pela FAESO.

Luciano Rosa

Assessor de Investimentos com mais de 5 anos de mercado financeiro. Acadêmico de Economia, com foco em macroeconomia e análise fundamentalista de ações.

Marco Antonio Guimarães

Assessor de Investimentos. Graduado em Direito e em Economia, pós-graduado em Ciências Políticas e MBA em Finanças. Certificações: ANCORD, FBB 100, PQO Backoffice.

Micael Gustavo Krindges

Assessor de Investimentos. Internacionalista pela UNIVATES, com intercâmbio em International Business na FH Vorarlberg (Áustria) e pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking pela PUC-RS. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

Ricardo José Denaldi

Assessor de Investimentos. Economista pela USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM e MBA em Controladoria e Finanças pela FGV-Brasília. Certificações: CPA-10, ANCORD, CEA (ANBIMA).