Comitê de Estratégia – Carta Mensal: Junho/26

01 · FRASE DO DIA 

“Seu futuro ainda não foi escrito. O de ninguém foi. Seu futuro é o que você fizer dele.” 

— Dr. Emmett Brown, De Volta Para o Futuro 


02 · O QUE O MÊS ENSINOU 

De Volta para o Futuro

Por aqui, apesar da queda do preço do petróleo e de a Selic ter tido mais uma queda de 0,25%, o juro futuro não nos deu trégua. A pergunta fica: qual é o problema, então?

A resposta está em um tema que nos fascina: viagem no tempo. Em Feitiço do Tempo um repórter meteorológico fica preso em um loop temporal vivendo eternamente no mesmo dia de sua vida. No filme, ele passa por várias fases, egoísmo, desespero, transformação pessoal, e utiliza o tempo infinito para se tornar uma pessoa melhor, tentando novas estratégias a cada nova oportunidade, evoluindo a cada dia. Aqui temos a nossa versão própria de viagem no tempo, também em forma de aprisionamento temporal.

À revelia da evolução da esquerda mais moderna no mundo, a nossa está presa ao passado. A esquerda (vamos chamar de moderna) mundo afora já entendeu a importância de cuidar do fiscal e as consequências disso para a inflação e juro baixo na economia. Podemos ver isso em diversos países da Europa, também no bloco, no Canadá e inclusive no governo anterior do nosso vizinho Chile. Entretanto, o que acontece no Brasil é muito diferente disso. Nossa Esquerda não evoluiu, ela segue aplicando as ideias pré-queda do Muro de Berlim e do desmantelamento da URSS. Sem contar o caminho da economia heterodoxa que, toda vez que implementada, resulta em desastre. Ainda acha que gasto público não resultam em custos astronômicos com o serviço da dívida. Imagine como será o Brasil quando descobrirem que poderíamos gastar com o social o que economizamos com juros, R$ 1 trilhão por ano (serviço da dívida brasileira).

Mas como diz o livro de Simmel, Ainda Resta Uma Esperança. Sábias são as palavras do Dr. Brown para McFly em De Volta para o Futuro: “Seu futuro ainda não foi escrito. O de ninguém foi. Seu futuro é o que você fizer dele.” Sempre podemos mudar!


03 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE 

Ormuz e o Estreito de Schödinger

Tentamos, há vários meses, parar de escrever sobre Ormuz. A geopolítica não tem permitido, mas até o mercado cansou desse tema. O estreito chegou a virar meme, trocou de nome para Estreito de Schödinger, numa alegoria ao experimento físico/filosófico do Gato de Schrödinger, onde o felino poderia estar ao mesmo tempo vivo ou morto dentro de uma caixa. O Estreito em alguns momentos esteve aberto e fechado ao mesmo tempo.

Ninguém sabia a real situação e possibilidade de passagem de transporte marítimo de petróleo por lá! Após mais um anúncio de fim do conflito, inclusive com negociações avançadas na Suíça, voltamos a ver ataques de ambos os lados na região. O que há de diferente dessa vez? O preço do petróleo praticamente não se alterou. O petróleo hoje já está nos mesmos patamares do pré-guerra. Por outro lado, juros seguem subindo ao redor do globo, agora por outros motivos. Fiscal e inflação, e inflação além da commodity.


04 · DECISÕES DO MÊS 

El Niño vs Dívidas Agro II

Durante o mês, o Comitê conduziu com profundidade um estudo específico sobre risco climático e crédito agro. Avaliamos as gestoras dos fundos que selecionamos para entender se entregam a segurança de que precisamos e onde investir no agro sem assumir riscos desnecessários.

“O super El Niño aumenta o risco de eventos climáticos extremos, mas não determina, sozinho, que eles vão ocorrer.”

Antônio da Luz · Economista-chefe da Farsul e sócio da Moinhos Investimentos

Como já trouxemos na carta passada, nossos estudo sobre o tema El Niño seguiu durante o mês de junho. No dia 11, a NOAA confirmou oficialmente o início do fenômeno e buscamos conversas aprofundadas com diversas gestoras sobre o tema. Compilamos aqui os principais pontos de atenção e de atuação. Para informações mais aprofundadas, estamos sempre à disposição.

O mercado de crédito agro amadureceu sua abordagem ao risco climático. Ao invés de tentar antecipar índices pluviométricos, o foco passou para a resiliência financeira e estrutural das operações. O clima é hoje tratado como um custo mitigável, não como evento terminal para os fundos.

As casas de gestão combinam, em proporções distintas, quatro frentes de proteção:

1. Robustez de cadeia produtiva

Exposição concentrada em setores e empresas com histórico comprovado de absorver choques climáticos, ajustando cronogramas produtivos (como postergação de moagem ou colheita) sem comprometer a capacidade de pagamento.

2. Proximidade e monitoramento ativo

Acompanhamento direto e recorrente dos produtores e emissores, permitindo identificação precoce de sinais de deterioração e viabilizando renegociações amigáveis antes que o problema se torne sistêmico.

3. Controle de duration e seletividade

Redução de prazos (operações “safra-a-safra”) e gestão de ativos e passivos, possibilitando a interrupção rápida da renovação de linhas ao primeiro sinal de instabilidade severa, além de garantir alongamento de dívida para emissores de maior porte, evitando descasamentos de liquidez.

4. Blindagem estrutural

Uso de subordinação (camadas júnior absorvendo primeiras perdas), travas contratuais, pulverização de risco e atuação concentrada em tranches seniores/mezanino, isolando o fundo do risco físico independentemente do desempenho operacional do emissor.

Há ainda um fator estrutural de fundo, o agronegócio nacional está estatisticamente menos sensível ao clima do que há uma década, impulsionado pelo avanço agrotech (maior resistência a estresse hídrico) e por evoluções no manejo de solo, que ampliam a retenção de umidade e reduzem o impacto de secas prolongadas.

Dessa forma, a diversificação das estratégias (fundamentalista, estrutural, de proximidade e de duration), somada à evolução tecnológica do setor, reduzem a correlação direta entre eventos climáticos isolados e perdas materiais nas carteiras de crédito agro.


05 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ 

Testamento: o silêncio custa caro

Considerando também a tese do filme “Efeito Borboleta”, na qual nossas atitudes de hoje trazem consequências as vezes catastróficas no futuro, falar sobre sucessão em um tempo no qual mudanças tributárias acontecem mensalmente não deveria ser uma opção, mas sim uma necessidade.

Nessa seara, o testamento é uma ferramenta extremamente subutilizada no Brasil. Além de fácil, barata, rápida e simples, ele só não deveria ser a única ferramenta. Deve fazer parte de uma estratégia como um braço organizador do todo. Falar sobre o assunto ainda é, para muitos, um exercício de desconforto. Associamos o tema à finitude e preferimos adiá-lo para “quando for a hora certa”. Mas a experiência mostra que a hora certa raramente chega por escolha, acaba sendo imposta pelas circunstâncias.

A ausência de um testamento não evita o assunto, apenas transfere a decisão para outras mãos. Sem uma manifestação de vontade clara, é a lei, e não a família, quem define como o patrimônio será dividido. Processos que poderiam ser simples se tornam longos, custosos e, não raro, geradores de desgaste entre herdeiros justamente no momento em que mais precisariam de união e conforto.

Um testamento bem estruturado não é um documento sobre a morte. É um instrumento de cuidado em vida. Permite que a vontade do patriarca ou da matriarca seja respeitada, reduz espaço para disputas, e pode trazer eficiência tributária e organização que beneficiam diretamente quem fica.

Com as mudanças recentes na legislação sucessória e tributária, esse planejamento ganha ainda mais relevância. Antecipar essas decisões, com apoio técnico adequado, é uma forma de proteger não apenas o patrimônio, mas também a memória de quem deixa esse legado.

Se esse é um tema que você vem adiando, talvez este seja o momento de trazê-lo para a conversa com o seu especialista Moinhos Investimentos.


06 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO 

O que está no radar do Comitê. 

Ormuz e o preço do petróleo

Seguimos acompanhando o Estreito de Schödinger. O petróleo já voltou aos patamares do pré-guerra, mas o quadro geopolítico permanece instável.

Fiscal e juro futuro

A queda de 0,25% da Selic não trouxe alívio ao juro futuro. O tema fiscal segue no centro das discussões e da precificação dos ativos.

El Niño e crédito agro

Com o fenômeno oficialmente confirmado pela NOAA, seguimos monitorando as gestoras selecionadas para entender como cada estratégia responde ao risco climático nas próximas safras.


Cuidar é decidir. 

Seu patrimônio merece decisões financeiras íntegras, e uma metodologia de investimentos fundamentada em estudos científicos há 18 anos.

Agende uma conversa com um de nossos especialistas clicando aqui.


Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos 
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos

Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.

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CARTA MENSAL

Comitê de Estratégia — Carta Mensal: Agosto/26

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Carta Mensal - De Volta Para o Futuro - Comitê de Estratégia Moinhos Investimentos

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Assessor de Investimentos orientado a processos. Certificado pela ANCORD e como auditor interno ISO 9001:2015.

Rafael Kollet

Sócio, psicólogo pela PUCRS e MBA em Negociação e Resultados de Alta Performance. Possui mais de 15 anos de experiência em gestão de pessoas, desenvolvimento de lideranças, estratégia empresarial e geração de resultado.

Hyago Scienza

Assessor de investimentos há mais de 12 anos, economista, une rigor analítico e acompanhamento próximo para sustentar cada decisão da carteira do cliente.

Guilherme Fiad

Assessor de investimentos certificado ANCORD, reúne formação em Direito e tecnologia com foco em acompanhamento próximo do planejamento financeiro e linguagem descomplicada.

Aderson Gegler, Ph.D.

Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos, idealizador do Comitê de Estratégia. PhD em Sistemas Quantitativos pela PUCRS e Universität Salzburg, Mestre em Ciências pela UFRGS e MBA em Gestão pela FGV. Foi professor universitário de graduação e pós-graduação, com centenas de alunos formados em finanças comportamentais e mercado financeiro. Atua na área há mais de 20 anos.

Ezequiel Karling

Co-CEO da Moinhos Investimentos, à frente das operações. Economista pela PUCRS, com certificações CPA-20, ANCORD, FBB 100 e PQO Bovespa. Atua no mercado financeiro há 19 anos.

Cassius Zenon da Silva

Advogado e contador, atua na área do direito tributário e das estruturações societárias com ênfase em M&A, sucessões e internacionalização de investimentos. Atuante no Zavagna Gralha Advogados Associados, sócio advogado do Zenon & Becker Advogados, sócio do Keep Gestão Contábil, sócio do Sólido Estrutura de Negócios e sócio da Moinhos Investimentos.

Antônio da Luz

Economista, Mestre e Doutor em Economia (UFRGS e PUC-RS), atua como Economista-Chefe do Sistema Farsul e é CEO da Agromoney. Consultado pelo Banco Central para o Relatório Focus, foi eleito Economista do Ano pelo Corecon-RS (2017) e agraciado com a Medalha Assis Brasil (2019) e o Troféu O Semeador (2024).

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Assessor de Investimentos. Engenheiro Industrial com trajetória no mercado imobiliário antes da assessoria.

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Assessor de Investimentos. Graduado em Ciências Econômicas e empreendedor no ramo de indústria de alimentos.

Bruno Giordani Lampert dos Santos

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Ciências Econômicas pela PUC-RS. Certificado pela ANCORD.

Diego Hailliot Duarte

Assessor de Investimentos com 23 anos de mercado financeiro e bancário. Administrador pela UFRGS, com pós-graduação em Controladoria e Finanças. Certificações: CPA-10, ANCORD, FBB 100.

Eduardo Dillenburg

Assessor de Investimentos. Acadêmico de Administração. Certificações: ANCORD, FBB 100.

Iuri da Silva

Assessor de Investimentos com 10 anos de mercado. Certificação CEA (ANBIMA).

Ítalo Capelão Brandão

Assessor de Investimentos responsável pela área Pessoa Jurídica da Moinhos Investimentos. Administrador, com experiência prévia em atendimento a empresas. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

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Assessor de Investimentos com 13 anos de mercado. Mestre e pós-graduado em Administração de Marketing pela UEL, graduado em Administração de Empresas pela FAESO.

Luciano Rosa

Assessor de Investimentos com mais de 5 anos de mercado financeiro. Acadêmico de Economia, com foco em macroeconomia e análise fundamentalista de ações.

Marco Antonio Guimarães

Assessor de Investimentos. Graduado em Direito e em Economia, pós-graduado em Ciências Políticas e MBA em Finanças. Certificações: ANCORD, FBB 100, PQO Backoffice.

Micael Gustavo Krindges

Assessor de Investimentos. Internacionalista pela UNIVATES, com intercâmbio em International Business na FH Vorarlberg (Áustria) e pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking pela PUC-RS. Certificações: ANCORD, CPA-20, FBB 100.

Ricardo José Denaldi

Assessor de Investimentos. Economista pela USP, pós-graduado em Marketing pela ESPM e MBA em Controladoria e Finanças pela FGV-Brasília. Certificações: CPA-10, ANCORD, CEA (ANBIMA).