01 · CENÁRIO · O QUE MUDOU E O QUE PERMANECE
O que mudou
A esteira do mau humor de julho ainda levou o Ibovespa e bolsa local para baixo até meados de agosto, quando o ânimo do mercado mudou em cima de algumas expectativas que comentaremos a seguir, fazendo com que o índice fechasse quase zerado. Já os juros futuros tiveram quedas no mês, seguindo uma discreta melhora nas expectativas de inflação, mas principalmente por novos resultados de pesquisas eleitorais presidenciais.
O mês, ainda no início, teve uma redução da taxa Selic, de 0,25%, o quarto corte consecutivo, e a inflação, com resultado já em setembro, veio inclusive negativa (deflação de 0,32%). Apesar de ser um bom resultado, ele é sazonal, devido a um bônus de Itaipu (energia elétrica), e não deve ser visto como trégua no índice para o futuro.
O trabalho do Banco Central na decisão de baixar mais ou não segue sendo complexo. De um lado temos estes números melhores de inflação temporária e a atividade econômica que vem sistematicamente desacelerando, tanto consumo e indústria quanto serviços, e de outro, temos uma inflação latente contratada dada a diferença entre os preços dos combustíveis na bomba e aqueles negociados no mercado internacional. Ou seja, o Governo está artificialmente segurando estes preços via um subsídio que deve em breve estourar. Objetivos eleitorais?
O que permanece
Como o ambiente estrutural fiscal não teve alterações, a inflação segue próxima à banda superior da meta no horizonte relevante e gastos do Governo sem projetos para diminuição, mesmo com a atividade econômica desacelerando, as expectativas de novas quedas para as próximas decisões do BC começam a perder forças.
Como já comentamos nas nossas cartas anteriores, o mercado não possui ideologia, ele vê números e tendências, e o cenário que mudaria este quadro é o governo (este ou um novo) encarar o problema da dívida de frente. Pelas falas dos candidatos, sabemos quais enfrentariam o assunto com a devida seriedade.
02 · DECISÕES DO MÊS
Achamos importante trazer estas informações sempre a título de conhecimento e, principalmente, para que nossos clientes entendam como cada ativo responde a esses dados e o motivo pelo qual cada um deles desempenhou daquela forma. Entretanto, também é importante relembrar que usamos formas de proteger as carteiras dessas oscilações individuais. Diversificação, processos, critérios, estudos e acompanhamentos estão entre elas. E para trazer alguns exemplos disso como boas notícias, relembramos o trabalho que fizemos recentemente com os investimentos no setor Agro, bem como o estudo sobre renda fixa em FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) que fizemos ao longo de agosto.
FIDCS
A junção das informações que temos de fechamentos sistemáticos para captação desses fundos de FIDCs nas plataformas com os níveis recordes de endividamento e inadimplência no país, iniciamos um aprofundamento ainda maior e uma nova rodada de reuniões e diligências com as gestoras destes fundos para entender se houve alguma deterioração no ambiente dos mesmos. O diagnóstico é de que nosso processo de seleção de ativos foi eficiente.
Dentre os fundos que mantemos alocação, os dados mostram que não houve variações relevantes nos níveis de subordinação (espécie de buffer para proteção de inadimplências). A inadimplência dos títulos desses fundos também segue controlada e em níveis esperados, alguns fundos com um índice ainda melhor do que num passado recente. O caixa desses fundos segue um pouco maior do que o normal (proteção) e os critérios de seleção dos ativos, em alguns fundos, se tornaram ainda mais apertados (maior diligência, dado o cenário desafiador do crédito). E o principal, os fundos seguem muito bem diversificados. Alguns deles com uma diversificação ainda maior do que historicamente estavam.
SETOR AGRO · ACOMPANHAMENTO
Apesar da previsão de um super El Niño, os dados mostram que os problemas do setor podem ter ficado para trás. No triênio 23/24/25 houve uma safra significativamente maior do que o consumo, pressionando muito os preços dessas commodities. Agora em 2026 essa relação já se iguala e o mesmo deve ocorrer em 2027.
Isso significa que além de os preços já estarem bem acima do que em 2024, qualquer quebra de safra, seja no Brasil ou em outros grandes produtores, a resposta será em termos de aumento de preços, fazendo com que a receita do produtor seja maior. Os estoques mundiais que subiram em 23/24 e 25, agora estão menores e devem cair também em 27. China e Brasil ampliando consumo e EUA com uma seca se agravando. Para saber mais, ouça o podcast Dedo no Pulso, do nosso sócio e Economista Antônio da Luz.
03 · NA PRÁTICA · O QUE MUDA PRA VOCÊ
Nosso trabalho como assessores de investimentos hoje é bem conhecido. Entretanto, parte do nosso escopo foge ao trivial normalmente entregue no mercado e, se não falarmos, também passará despercebido, mesmo dada a sua importância crucial para a saúde patrimonial dos nossos clientes.
Estes estudos e análises citados nos parágrafos anteriores fazem parte do nosso trabalho. É silencioso, mas apesar de não ser visto, é importante para as carteiras, protege o investidor e agrega valor ao nosso modelo. Achamos importante trazer isso para a superfície, pois alguns investidores gostam de entender e de estarem bem informados. Esse trabalho faz parte da nossa proposta de valor, do nosso dever fiduciário e da nossa diligência com os produtos que colocamos nas carteiras. Para que todos possam reentrar na atmosfera de forma segura.
04 · O QUE ESTAMOS OBSERVANDO
Por fim, eleições estão chegando, mas muita matéria ainda será sugada por buracos negros até lá… Às vezes aviões caem, em outras facadas são desferidas e às vezes sessões judiciais também podem mudar cursos em andamento.
Cuidar é decidir.
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Comitê de Estratégia · Moinhos Investimentos
Aderson Gegler · Fundador e Co-CEO da Moinhos Investimentos
Carta elaborada pelo Comitê de Estratégia da Moinhos Investimentos. Não constitui recomendação individual. Consulte seu especialista.